segunda-feira, 7 de novembro de 2016

DISTRAÇÃO: UM JARDIM DE POSSIBILIDADES

"20. Sou muito esquecida e distraída. Já esqueci malas indo pro aeroporto, cinema com amigos, saí de casa sem perceber que estava de chinelo... a lista de trapalhadas é imensa." Do post 25 coisas sobre Alice.


Resultado de imagem para alice no pais das maravilhasAlice passeia no jardim explorando as diversas possibilidades que lhe aguarda. Enquanto reflete sobre várias coisas desordenadamente , seus pensamentos são interrompidos por uma inesperada criatura: Um coelho de casaca que segura um relógio de bolso. Ele olha para ela , diz que está atrasado e corre. Alice, sempre curiosa, persegue a peculiar criatura deixando para trás seja lá o que estava planejando. O coelho entra numa toca e ela , sem hesitar, o segue e cai num túnel que parece não ter mais fim, até que finamente encontra o seu destino, o País das Maravilhas. 
Mais ou menos assim funciona a cabeça de quem tem TDAH. Nossos pensamentos são voláteis, impulsivos, escorregadios , o que nos faz frequentemente a abandonar uma sequência de ações e deixar tarefas sem concluir. Estamos sempre atrás de uma coelho que corre contra o tempo. Uma vez, viajei para uma cidade no interior do Rio Grande do Sul para visitar uma amiga. Na volta, tive que pegar um ônibus intermunicipal com destino à Porto Alegre, para depois pegar um avião de volta para casa. Estava cheia de bagagens e estava tão preocupada em esquecer a bagagem de mão que acabei esquecendo o principal, a mala. Quando estava no táxi, quase chegando ao aeroporto, senti que faltava algo. Foi quando fiz a associação VIAGEM-MALA-AEROPORTO!!! "Ops, esqueci de pegar a mala no bagageiro do ônibus.", falei ao taxista que me olhou perplexo. Tenho uma infinita lista de episódios dessa natureza, mas lembro particularmente desta porque depois de recuperar a bagagem, fiquei remoendo o episódio durante horas. Senti que havia algo estranho comigo, tive vontade de me teletransportar para o meu quarto, mais precisamente pra debaixo da minha cama. Quem nunca esqueceu uma coisa óbvia na vida? o problema é quando você vai para a cozinha beber água e volta pro quarto com sede porque esqueceu de pegar o copo d'água porque se distraiu no caminho e quando isso acontece com bastante frequência. 
Muitas pessoas que se identificarem com essa história, poderão questionar se essa característica a faz ter TDAH. O que posso dizer é que ter muitas coisas na cabeça, se distrair facilmente, balançar as pernas, sentir-se inquieto, pode ser indicar uma possibilidade mas não é suficiente para definir o Transtorno, como define essa última que irei repetir: Transtorno. Esquecer das coisas é normal, a vida moderna nos forçou a viver em eterna pressão, nos envolvemos em diversas atividades e obrigações. O estresse é a praga da sociedade contemporânea. Ainda sim, repito, Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade é um assunto muito banalizado, tanto com o excesso de diagnósticos como a supressão dele, pode gerar muito sofrimento. O que caracteriza o TDAH é uma série de sintomas que acompanham a pessoa desde a infância em todos os ambientes de convivência, ou seja, em casa, na escola, no trabalho, na vida social como um todo . Por isso , é preciso ter cautela quando se tem um diagnóstico. Vida de Alice pode ser fascinante nos livros, nos filmes , em analogias narrativas, mas na vida rela, lutar diariamente contra os Jaguadartes é exaustivo e ainda não vi nenhuma vantagem que me tornasse um ser especial . A dura realidade é que temos nos adaptar com nossa condição, assim como todo mundo tem que se adaptar com as constantes mudanças da vida. Temos que matar um Jaguadarte por dia, é verdade, mas isso não impede que de vez em quando, olharmos um jardim cheio de possibilidades. 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

SÓ POR HOJE EU QUERIA SER "NORMAL"

Oi. Eu sou Alice. Tenho um Transtorno chamado TDAH - Transtorno de déficit de Atenção e Hiperatividade. Descobri quando fazia uma tratamento para depressão. Não gosto de falar ou justificar para as pessoas sobre o Transtorno porque não gosto que sintam pena de mim, Muitas vezes , quando confesso , algumas dizem que não aparento ser hiperativa. Eu sei que a imagem que as pessoas têm de hiperativo como aquela pessoa inquieta que não pára num lugar e que balança as pernas. Eu não balanço as pernas , em vez disso eu procrastino, me saboto, choro escondida na cama que é lugar quente e nesse exato momento deveria ler um livro que foi indicado pelo meu professor a semana passada e que apenas li algumas páginas, e que será debatido amanhã. Hoje faltei aula de outro professor porque estava esgotada, simplesmente porque também fiz a leitura ontem e o trabalho hoje de manhã , antes de trabalhar e deixar minha mãe na rodoviária. Batalhei muito na seleção de mestrado e hoje estou paralisada com a que estar por vir ...peraí , vc falou mestrado? sim . Falei. Eu faço parte de uma minoria de pessoas que têm TDAH e conseguiram se graduar. Sempre fui aquela estudante fora dos padrões , que deixa as matérias para última hora. A minha vida escolar foi conturbada e cheia de dramas e improviso. Sempre consegui passar por uma suposta inteligência que só é acionada em momentos de urgência. Levei a graduação tocando flauta e fazendo juramentos que nunca cumpri. Hoje , trabalho na Universidade Federal da Paraíba , onde tive que deixar minha cidade natal , Recife, para morar em João Pessoa. Morava com minha mãe e meus irmãos , agora moro sozinha numa cidade agradável . Pelos incentivos de qualificação para aumentar o meu salário , que quase não me sustenta , decidi fazer mestrado mas não foi só isso. Tinha vontade de seguir a carreira acadêmica e me identifiquei com a Ciência da Informação. Também confesso que não tenho saco para estudar para concurso e como meu cargo é de nível fundamental , fazer um mestrado acadêmico pode me dar a possibilidade de ser professora da Universidade em que trabalho. Até chegar lá , para as pessoas "normais" têm muito sangue , suor e lágrimas . O que esperar de alguém que tem TDAH ? É o que vou descobrir. Não faz nem um mês que as aulas começaram e eu estou aqui, assustada, perdida, frustada com minhas reações de sempre e muito ansiosa. Esse monstrinho da ansiedade me corrói por dentro, como se existisse um dragão morando dentro de mim. As pessoas dizem que eu deveria estar feliz e eu sei que deveria mesmo, mas estou com muito medo de tudo. Será que é sempre isso : querer o que não tem e sofrer quando se consegue, por ter a sensação de que aquilo escorre entre os dedos ? Preciso de ajuda , estou cansada e amargurada, mas não vou colocar culpa no transtorno embora só por hoje gostaria de me sentir como uma pessoa "normal".

terça-feira, 29 de setembro de 2015

ANSIEDADE: O CAOS DE UMA MENTE QUE NUNCA PÁRA.

19. Sou um pessoa bem ansiosa. Isso já me custou muita dor de cabeça e sofrimento. Hoje tento controlar mas é bem difícil. Do post "25 coisas sobre Alice"

O Caos. Isso definiria bem a minha mente. Viver a vida dentro da minha cabeça é no mínimo uma montanha russa desgovernada. Não sei se isso é normal pois não vivo dentro das cabeças alheias, adoraria visitar algumas delas um dia, mas o que me sobra é um trecho de uma música de Caetano Veloso que diz que "de perto ninguém é normal". De dentro deve ser menos ainda. Uma coisa que a maturidade nos dá é a sabedoria de calar-se diante de certas coisas como, por exemplo, me autodeclarar hiperativa e desatenta. Já ouvi muitas pessoas dizerem : "Mas nem parece, será que eu também sou?" . Nessa hora fico na dúvida entre gargalhar ou cair no choro , então reservei essa parte da vida para uma restrita lista de pessoas inevitáveis , profissionais da área e meus poucos e valorosos leitores que ainda tenham a paciência com a minha inconstante e pouca produtividade. Hoje , tive uma dia como muitos iguais que posso chamar de "dia da procrastinação intensa". Não fiz nada o dia todo , tendo mil coisas pra fazer e resolver. No fim , me sinto péssima, improdutiva, preguiçosa e o pior : me olho no espelho e vejo uma Alice paralisada pela ansiedade e pelo movimento da sua mente, com uma cobertura densa de inércia. Sei o que preciso fazer mas , algumas vezes, não consigo forças para realizar e vou adiando, como se o mundo fosse esperar, mas ele continua girando e os dias passam e as coisas passam . Às vezes consigo pegar o trem em movimento mas outras, perco o tempo, o trem , e as coisas continuam a acontecer. Nessas horas em que perco o tempo, um certo coelho vestido com uma casaca elegante me repreende com o relógio na mão. É nessa hora que choro um lago inteiro ou apenas me calo e sento num banco para esperar um outro trem. Mas o que esperava por mim no outro trem que perdi provavelmente nunca irei saber. O fato é o caos está aqui dentro sempre, observando tranquilo minha corrida de obstáculos contra o tempo.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

ALICE E OS MEDOS ATRÁS DO ESPELHO

18. Tenho um verdadeiro pavor de baratas, principalmente as voadoras, mas geralmente não costumo ter medo de nada. As baratas sentem isso e aproveitam para me aterrorizar. Já fui dormir mais cedo porque tinha uma barata na sala e estava sozinha em casa.  Do post "25 coisas sobre Alice".


Costumo dizer que não tenho medo de nada, apenas de baratas voadoras e de pessoas. O primeiro, acho que não é bem um medo, mas uma fobia, asco... sei lá. Isso permeia entre um instinto absolutamente estúpido de imaginar que aquela criaturinha asquerosa sabe do meu pavor , pois se existem mil pessoas no recinto, vai ser a mim que ela vai perseguir. Poderia contar inúmeras situações ridículas sobre isso, mas prefiro me ater ao meu segundo medo: as pessoas. Esse também não é exatamente um medo, é como uma cicatriz. Sem muito "mimimi", o fato é que quem sofrem desse transtorno , geralmente, tiveram um histórico de vida complicado, cheio de frustrações, culpas, fracassos, intolerância e muitas vezes , uma imagem invertida de si mesmo, principalmente, para aqueles que passaram uma boa parte da vida sem diagnóstico . É como o espelho de Alice, o mundo do espelho é muito parecido com o real, só que ao contrário e cheio de coisas inexploradas que só é possível acessa-las quando se penetra nele. Esse mundo do espelho é assustador para algumas pessoas, para mim, a vida real é bem mais. Recentemente , descobri que o escopo do meu trabalho é basicamente a relação com pessoas. Tenho descoberto , como anteriormente dito em algum post, algumas habilidades e desejos que desconhecia quando assumi a chefia do meu setor, e , para o meu grande espanto, gosto da área de gestão e atendimento ao público mas , vivo em conflito na maioria das vezes. Bem, como um bom exemplar de Alice, sempre vivi entre o caos e o abismo , até a próxima aventura me fazer abandonar a parcimônia . E aqui estou eu, como não imaginava que estaria: tentando transformar um grupo desunido em uma equipe , ou pelo menos, realizar algumas melhoras no setor e administrar conflitos. (logo eu?). Também estou me dedicando atualmente a uma seleção de mestrado. (logo eu?). Pois é, tenho perdido o sono e a paz que nunca conquistei de fato, mas antes isso do que a apatia em que me encontrava. Já me inscrevi, elaborei um pré-projeto, que no momento achei maravilhoso, agora estou achando um lixo. Antes de analisarem o meu projeto, terei que me submeter a duas provas, uma de conhecimentos específicos e a outra de proficiência em língua estrangeira. Durante os estudos , me assaltam pensamentos do tipo: Não vão aprovar meu projeto, por que estou estudando? Eu sei, talvez esteja bom , e que todo conhecimento é válido e bla-bla-blá  mas essa é a minha versão invertida do espelho, não consigo ter clareza na hora de me olhar nele, mesmo sabendo que os TDAHs tendem a ter uma imagem negativa de si mesmo , e que o demais nunca é o bastante. Estou lutando contra esses pensamentos cruéis e tentando seguir em frente sem medo de me estabacar no chão, ou pelo menos tendo a consciência que ainda posso , depois de tudo, recolher os cacos do espelho e reconstruir a imagem refletida em seus pedaços colados.

domingo, 7 de dezembro de 2014

A ALICE DE VERDADE


"17. Sou um pouco melindrosa. Algumas coisas que me dizem causam um impacto maior do que deveria , principalmente as críticas, mesmo que eu saiba que faz parte do processo." Do post "25 coisas sobre Alice"


Nunca imaginei encarando certos desafios. Um deles é que , apesar de nunca ter me visto como uma líder, estou gerenciando uma equipe no meu novo trabalho. Aceitei o desafio com um pouco de medo, confesso.Mas aqui estou eu, a frente de um desafio que poucos aceitaram.  Essa é uma das razões do meu afastamento, estou expurgando meus próprios demônios e o dos outros também. Nunca pensei que fosse capaz de liderar pessoas. Essa tarefa é árdua, nunca somos compreendidos, nem retribuídos e sempre recebidos com muitas críticas. Pra uma Alice com uma imagem embaçada , onde os espelhos confundem os rumos, é bastante complicado. Os ruídos atrapalham os pensamentos e os coelhos brancos de casaca tendem em aparecer nas horas mais impróprias. É muito cansativo e desgastante, mas preciso fazer isso pelo Pais das Maravilhas. Preciso mostrar que posso e que consigo jogar também. Afinal de contas , não adianta mais me esconder atrás dos meus melindres , das minhas cobranças e de universos paralelos. Eu tenho déficit de atenção, e daí? Sou capaz de compreender mais do que muita gente, pois já fui tão incompreendida. Sou capaz de realizar tarefas, mesmo que alguém tenha que me lembrar de coisas bobas, pois não vivemos isolados e quem nunca esqueceu as chaves de casa? Não somos impossibilitados, não somos deficientes . Somos diferentes entre si, temos falhas , com ou sem TDAH.

 Ineficientes ou não . Gênios ou monstros. Capazes ou não. tudo isso depende de nós mesmos. Um Transtorno não me determina, nem me limita, apenas me caracteriza como a cor dos meus olhos. Repito, repito e repito as críticas na minha mente incansavelmente  ? sim. Sou melindrosa em muitas situações ? sim, sou. Mas tenho consciência de que críticas fazem parte do processo. Angustio-me , perco noites de sono e me consulto com um psiquiatra e pronto. Também penso, reflito e esqueço ou aprendo . E assim vou vivendo e amadurecendo como cada ser desse planeta que tenha consciência. Alice pode ser o que quiser mas sempre será a Alice de verdade pois esse sonho é seu, oras. 

terça-feira, 17 de junho de 2014

EXAGERADA SIM, E SEM FOCO.

16. "Exagerada, jogada aos teus pés , eu sou mesmo exagerada..." Já dizia Cazuza quando compôs essa música para mim mesmo sem saber. Tenho tendência a fazer tempestades em copos dágua e depois ver que não era para tanto mas aí , já foi." Do post "25 coisas sobre Alice".


Dor, silêncio profundo, saltos megalomaníacos, quedas memoráreis. Não traria 1000 rosas roubadas  e nem muito menos poderia pintar todas de vermelho porque não teria paciência para tanto (mesmo que vontade não me falte)... exagerada sim, mas sem foco. Essa sou eu: sangrando, jorrando litros de sangue por segundo com gargalhadas loucas por um simples copo d'água. Exagerada ao chorar, ao imaginar, ao planejar, ao procrastinar...  executar várias cenas pro mesmo fim e muitas vezes não chegar a qualquer um deles. Sentir tanto de si mesma e embriagar-se de qualquer coisa. Qualquer coisa que se sinta, que preencha qualquer minúsculo espaço. Como gostaria de me esvaziar um pouco, pois o silêncio nunca é o silêncio. Preciso estar deliberadamente apaixonada ( paixão cruel ,desenfreada), nem que seja por um instante e este momento pareça ser eterno como um poema. Mas quando ele acaba , sempre caio num abismo sem fundo. E nem adianta "Mendigar, roubar, matar... pra mim é tudo ou nunca mais". Exagerada sim e hiperativa. Preciso sempre de vários projetos, faço listas tentando silenciar minha mente. Não consigo parar o trafego de ideias, de fantasias, de sentimentos... esses que não me deixam aprender que apenas sonhar não é suficiente para realizar a ação. Ter vontade, desejar , não significa necessariamente fazer e conquistar. O mundo real é cheio de armadilhas para quem não pisa no chão e tenta voar sem asas. E não adianta pensar em coisas boas, não dá certo aqui, eu já tentei várias vezes.  

sábado, 10 de maio de 2014

UM RETORNO? UM RECOMEÇO? EU NÃO SEI.

Primeiramente gostaria de mais uma vez me desculpar pelo longo período de ausência. Sei que para alguns amigos , isso é normal de mim , mas vocês certamente não sabem. Escrevo quando estou feliz, quando estou triste também. Comecei a escrever nesse Blog porque senti a necessidade de me expressar, desabafar e trocar experiências e ideias quando fui diagnosticada com TDAH. Quis ajudar e procurar ajuda, e me encontrei em muitos de vocês. Tudo passava a fazer sentido , tudo se encaixava perfeitamente, tinha algumas respostas para meus questionamentos de sempre e me senti, muitas vezes acolhidas quando estava em crise. Mas a vida tem dessas coisas... ás vezes rebemos uma rasteira e a queda é maior que o peso de nosso corpo. Recentemente, perdi uma amiga, melhor dizendo, uma irmã  muito querida. Há mais de um ano que ela lutava contra um câncer , já em estado terminal quando foi diagnosticado e aí , tive meus momentos de luto, dor, raiva, negação e na maioria das vezes, apatia. De uns dois anos pra cá muita coisa vem acontecendo ao mesmo tempo. Não consigo acompanhar o ritmo deles. estão girando na minha cabeça como um tornado. No fim de 2013 , minha amiga se foi . No início , um alívio pelo fim de seu sofrimento. Mas agora , a saudade só aumenta. Tenho tido momentos muito difíceis, pois concomitantemente tive que mudar de cidade, mudar de emprego, ficar longe da família e dos amigos e tem sido bem complicado conciliar tudo. Às vezes tenho vontade de sumir, desaparecer; outras apenas renasço das cinzas. Um dia de cada vez , como dizem. Continuo lutando contra a depressão que voltou a me assombrar, aos meus dilemas de TDAH e as adversidade da vida. Alice ainda vive no mundo real e tem evitado se aventurar no País das Maravilhas. Talvez seja mortal para ela visitar esse Mundo instável e desafiador e ela se esconde atrás da porta. Sua essência continua lá , mas sua alma está cansada no momento, esperando que as feridas possam começar a cicatrizar com o tempo , que muitas vezes lutam contra e outras ao nosso favor. Depende de quem está segurando o relógio. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

DRINK ME

"15. Por falar em bares , minha bebida preferida é a vodka. Não curto ficar embriagada mas gosto de beber com amigos e de preferência comendo um bom tira-gosto. Nesses momentos fico mais leve e descontraída." Do post 25 coisas sobre Alice. 

Momentos bons regados de vodca dão o que falar... E quando não se precisa de bebidas para isso? Muitas vezes me achei no epicentro do incômodo, sem poder usar o álcool como desculpa. Pelo contrário, no início, ele parece ser a solução para a falta de adequação, a insegurança, a inibição. Sinto-me mais leve , mais sólida , menos amarrada pelos meus medos inconscientes. E nessa armadilha muitos TDAs se perdem no mundo das drogas. A incidência de dependentes químicos que descobrem que tem o Transtorno é enorme pois , na verdade, além de procurar ocupar o vago ou esvaziar o tumulto, ou até mesmo se automedicar , eles acabam mergulhando num caminho de destruição e dor ainda maior. Nós sentimos e queremos demais tudo agora mesmo e as drogas deixam a sensação de que podemos tudo. Sempre tive muita sorte em ter tido uma boa estrutura familiar para me dar o suporte que precisava, mas infelizmente, algumas pessoas caem nessa armadilha tão sedutora. Talvez tenha sido também pelo fato de eu ter tido um pai alcoólatra que me serviu de exemplo para o que eu não queria ser, mas o fato é que o álcool não me enche os olhos. Gosto de beber uns drinks com bons tira-gostos e boas companhias. Gosto de cozinhar ao som de uma boa música e curtir o dia sem passar mal no outro dia , mas devo confessar que nem sempre tenho esse controle, assim como em muitas outras coisas. A relação com a bebida sempre foi a de usá-la e  não o contrário. Mas admito que, principalmente pra quem é Alice, é um flerte perigoso demais para quem já não tem os pés presos no Planeta Terra.


domingo, 10 de novembro de 2013

A HORA DE ROMPER AS CASCAS

Estava me sentindo até um pouco confortável nesse cubículo apertado. É escuro, eu sei, talvez as pessoas pensem que estou louca mas ele tem lá suas vantagens. É cômodo não ter que usar a espada e o escudo. É cômodo não ter que enfrentar os monstros lá fora. Não sinto as variações de temperatura, as dores das caminhadas, as ondas me desafiando ou a areia em meus olhos. Confesso que sinto falta do Sol , das estrelas, daquele friozinho na barriga , do calor humano... mas , chega !!! Já cansei de rótulos, talvez o melhor seja ficar aqui em meu casulo embora as cascas que me cobrem estejam teimando em cair aos poucos, até sinto uns fios de luz nas partes que se romperam. Talvez seja hora de explorar o novo mundo que me espera, quem sabe? Quem sabe estou mais forte? Quem sabe o deserto mudou de lugar e eu esteja no meio de uma floresta encantada? Não duvido nada que o chapeleiro tenha alguma coisa a ver com tudo isso ou Rainha me espera para mais um daqueles joguinhos que ela adora. Não duvido nada que ela não tenha conseguido encontrar um adversário a altura, afinal de contas , eu sou Alice , oras, também tenho lá minhas virtudes. Talvez tenha chegado a hora, Alice, de romper mais uma vez as barreiras da mente, do corpo, do tempo...pois a vida , essa não gosta nem um pouco de ser ignorada , ela cobra a conta , sabe? Não adianta nada se esconder atrás de cascas, por mais duras , elas um dia hão de se romper. Então que seja... talvez com sorte essa metamorfose tenha me dado asas em vez de uma casca dura que sempre se rompe.

sábado, 12 de outubro de 2013

ALICE EM SEU DESERTO PARTICULAR

Andar sozinho no deserto é o contrário de estar à deriva no alto mar? ou dois lados da mesma solidão? Um estado devastado , uma imensidão de um vazio repleto de turbulência e silêncio? Caminho entre o sol escaldante e tempestades de areia ou noites frias sob uma lua esmagadora. Apesar de andar horas e horas sinto-me como se em voltas não chegarei a lugar algum. Talvez jamais encontre algo vivo por aqui, por isso vago entre a imensidão de areia. Alice perdeu-se de seus sonhos e depois de nada num mar de lágrimas, enfrenta o deserto de sua apatia indesejada, de seu cansaço pesante. Além das dificuldades da areia fofa , o peso que imprensa seu peito está cada vez mais forte e sufocante. Não vejo coelhos, nem rainhas, nem Jaguadartes. Pareço sucumbir à danação eterna. Isso está mais para o Inferno de Dante do que para um Mundo Subterrâneo cheio de desafios e criaturas estranhas. Há quantos ciclos já vaguei , não sei ao certo mas tento desesperadamente de um redenção dada por mim mesma. A depressão é uma das comorbidades do TDAH mais recorrentes e doloridas que se pode sentir, pois é assim que me minha carne tem sofrido sem a proteção de sua pele. Até o vento me agride em voz baixa, até meus olhos se escondem de mim mesma. Esperando que as cicatrizes mais uma vez venham me resgatar do meu deserto particular. 

domingo, 11 de agosto de 2013

VOLTEI DO "PAÍS DAS DESMARAVILHAS"

UM PEDIDO DE DESCULPAS E UMA JUSTIFICATIVA

Boiei à deriva vários dias  em águas e escuras e turbulentas. Já estive lá antes mas não por tanto tempo. Sabia que um dia iria voltar à terra salva embora com sequelas, mas ainda assim , tive medo da escuridão e do mar de águas salgadas que eu mesma tive a capacidade de produzir. Era feito das minhas próprias lágrimas mas poderia sim me afogar nelas, morrer e então morrer infinitas vezes até sair de lá. Então foi desse jeito,  me afogando, sufocada, morrendo e voltando a flutuar sobre as águas inerte que revivi meu inferno particular. Por que? Porque assim sou eu, essa pessoa cheia de emoções confusas, de sentimentos profundos e sombrios e como todas as pessoas, TDA ou não, um poço de contradições. Porque muitas vezes de tanto querer viver a vida às vezes dói demais. Porque as pessoas se vão, mesmo quando a gente não quer , as coisas mudam independente de nosso querer e tudo segue seu curso imponente e indiferente do nosso desejo e no meio de todas essas coisas existe o caos que existe para que a tranquilidade também exista. Portanto, devo a todos um pedido de desculpas e fico devendo mais explicações quando eu tiver entendido o Porquê de tudo isso que não sei nem o que é. Bem vindos de volta à luta diária de Alice contra os Jaguadartes. 

sábado, 25 de maio de 2013

O SORRISO DO GATO DA ALICE

14. Gosto de viajar e conhecer lugares diferentes, adoro praia , musica, cinema, bares e futebol. Torço pro Santa Cruz de Recife, o tricolor pernambucano.


Apesar de eterna sensação de que sempre tenho muitas coisas a fazer, tenho meus momentos de lazer, descontração e de "quase" relaxamento. Amo a vida e o que ela tem de oferecer e acredito que todos merecem ser felizes. Por isso, sempre que posso me presenteio com alguma coisa prazerosa. Como dito acima , viajar é uma delas. Conhecer lugares e fazer coisas que nunca fiz me fascina assim como escutar música , dezenas de vezes a mesma ou variar entre desconhecidas, assistir a um bom filme , no cinema , na tv ou no computador (meu amigo inseparável) são coisas que busco fazer quando quero me distrair. Os bares e futebol merecem um capítulo a parte. Gosto do ambiente de bar mas tem que ser com uma boa companhia , isso inclui uma pessoa boa de papo. Quanto ao futebol, O Mais Querido, o Santa Cruz Futebol Clube, nesse ano de 2013, presenteou-me com o  tri-campeonato pernambucano em cima do meu maior rival, o Sport . Estou gargalhando até agora deles, até porque , além de gostar de assistir às partidas, também gosto das brincadeiras, que como uma boa "Alice" sempre dão asas a minha imaginação, à criatividade e rendem muitas risadas. Acho que esses momentos contra-balançam com as coisas inevitáveis da vida , pois a felicidade é um estado imaginário e instável, uma pausa diante da realidade, que deve ser feita de momentos plenos de entrega e muito bom humor.

sábado, 11 de maio de 2013

ATRAVÉS DO ESPELHO DE ALICE

13. Sou perfeccionista e muito crítica comigo mesma. Sempre acho que poderia ter feito melhor mesmo quando as pessoas elogiam o que faço. Às vezes , chego a ser cruel em relação a mim.

O Perfeccionismo TDAH: As duas faces de uma espelho distorcido. A cruel e constante preocupação com o perfeito em controvérsia ao aparente desleixo. Planejar, sonhar, milimetrar , distrair-se com as paisagens, misturar os diversos sonhos e ainda protelar as ações em busca das condições perfeitas e no fim , ou abandonar o projeto ou ainda, quando há prazo, termina-lo sem ter conseguido o objeto idealizado. Uma mente inquieta e distraída atrai muita culpa, muitas críticas , sofrimento, frustração e a sensação de que se é um grande canastrão quando se ouve um elogio. Muitas vezes não me achei merecedora de créditos pois não acreditava ter realizado um grande feito. Quantas vezes tive a sensação de não me dedicar quanto deveria, pois estava passeando no País das Maravilhas. Quantas vezes idealizei momentos que não chegaram nem de longe ao que pretendia. De todos os rótulos e cobranças que já recebi , as minhas são as mais cortantes. Sinto-me muito medíocre às vezes, uma fraude, uma ilusionista. Muitas outras, não acredito ser capaz de realizar certas coisas e acabo desistindo ou até mesmo perdendo o interesse ou deixando o trem passar... Antes de ter um diagnóstico, achava-me preguiçosa como sempre ouvi, principalmente na escola, as pessoas se referirem a mim. Descobrir que o País das Maravilhas fazia parte de uma Alice que não pode ser dissociada de mim mesma foi um divisor de águas na minha vida. Não para me eximir de realizar meus projetos ou usa-lo como desculpa pelas minhas falhas mas , principalmente , para descarregar meus sentimentos de culpa como também , aprender a lidar com as minhas dificuldades. Descobri que não preciso perder a essência da minha forma mutante. Posso aprender e realizar muitas coisas com o Mundo de Alice e ainda assim, também caminhar sem medos pelo mundo real. 

terça-feira, 23 de abril de 2013

ALICE CONTRA O TEMPO

12.  Tenho problemas com pontualidade, tento evitar mas geralmente chego atrasada nos lugares. O pior é que isso me chateia , por isso tenho melhorado bastante nesse ponto.

A minha luta incessante contra o tempo é uma das mais cansativas. O tempo parece sempre estar apostando corrida comigo pois, como um bom exemplar de TDAH, tenho dificuldade de planejar/executar coisas importantes, protelando-as, distraindo-me ... enfim, os 45 minutos do segundo tempo nos pega desprevinidos e o atraso geralmente é o resultado do jogo. Tenho tentado melhor meu tempo e cumprir meus compromissos. Uma das coisas que consegui na terapia foi inserir a agenda na minha "rotina" e para reforçar tb faço listas semanais e ainda marco no calendário do celular. Exagero??? Não qdo se trata dos meus esquecimentos. Tenho 3 alternativas para lembrar e muitas vezes ainda esqueço mas tenho melhorado bastante, com muito esforço as coisas vão se ajeitando. Tentei amadurecer o pensamento de que aquela sensação de que sempre dá pra fazer mais alguma coisa deve ser evitada e que é bem melhor chegar cedo e deixar aquilo que pode ser adiado pra depois do que causar um estresse maior ao me atrasar e deixar pessoas esperando. Contudo, tenho consciência de que isso não é automático , mas aos poucos tenho conseguido alguns resultados.A corrida contra o tempo ainda não terminou mas agora , ao menos, vejo que me aproximo dos outros corredores passando pelos obstáculos, as paisagens, os sons que vão aparecendo durante o caminho. Mas Alice ,neste momento, está disposta a deixar o coelho de casaca passear sozinho pela paisagem a fim de concluir o seu percurso.

quarta-feira, 20 de março de 2013

ALICE, LEITURA E A RITALINA

11. Gosto muito de ler mas se a leitura não me agrada não consigo ler o livro até o fim. Tenho mania , mesmo quando adoro o livro, de olhar quantas páginas tem, quantas já li e quantas faltam para acabar, não me perguntem o porquê. ( Do post "25 coisas sobre Alice")

De um lado a ansiedade, a dificuldade de concentração, de manter o foco ,a cabeça viaja , a mente foge. Do outro, o gosto incomensurável pela leitura, por  viajar através de um mundo de palavras, da imaginação ... Gosto do toque Dos dedos ao virar a página, do cheirinho de livro novo ou o calejo dos seus vários leitores. A cada livro, a cada página, as letras vão tomando formas diversas e os amantes da leitura bem sabem , o gosto das aventuras , do conhecimento , um ato de permear entre vários mundos. Ainda assim, não raro, perco o foco desses mundos e a minha mente cria vida própria e os seus próprios mundos e os olhos passam pelas letras como árvores na estrada que vão se repetindo e se tornam quase imperceptíveis , até você perceber que virou a página e que perdeu vários trechos do que estava lendo. Mesmo quando a leitura me agrada não consigo evitar esses lapsos de atenção e esse mania de olhar as páginas, quantas li e quantas faltas, assim como também olho os minutos que se passam no vídeo, ou numa música , uma obsessão por um tempo que não posso compartimentalizar, fracionar e nem dar pausa . Não preciso nem dizer que isso também acontece quando estudo, e que só produzo por pressão (muitas vezes nem assim), e que esse mesmo tempo que escorre entre minhas mãos independente de ação ou sonho também não dura quando faço algo por prazer ou obrigação. Baseando-se na necessidade de me concentrar nos estudos , que eu e minha psiquiatra decidimos, em comum acordo, que era a hora de experimentar a Ritalina. Avaliando o custo-benefício que esse investimento me traria , resolvi que deveria tentar. Comecei a tomar a Ritalina LA de 20mg. Confesso que quase cai dura quando soube do preço mas por uma necessidade latente de organizar minha vida acadêmico-financeira , fui à luta. Não pretendo fazer uma apologia ao medicamento, mas nessas quase três semanas que o uso , estou me sentindo muito bem, melhor que as minhas expectativas. Claro que não esperava por um milagre , que por uma pílula mágica , todos os meus sintomas desaparecessem mas a minha concentração melhorou consideravelmente. Devo salientar que , pelo que pesquisei, nem todo mundo se dá bem com esse medicamento , até porque cada organismo reage de uma maneira mas quanto a mim , por ora , venho melhorando bastante em relação a qualidade do meu estudo. Espero que desta vez as coisas entrem nos eixos e eu finalmente consiga me realizar profissionalmente embora tenha consciência de que há um longo caminho para percorrer.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

ALICE E SEUS AMIGOS

10. Sou muito leal aos meus amigos, que são poucos , mas muito importantes para mim e os defendo com unhas, dentes e coração. Do post "25 coisas sobre Alice".


Meus amigos são tão maravilhosos que às vezes parecem sonhos. Mas eles existem pois, senão, eu também não existiria e esse sonho não é só meu... Além disso, os sonhos fazem parte de quem você é , isso não se discute, e tão importante do que saber isso é dar valor a eles, tanto aos sonhos como aos amigos. A esses tenho a minha eterna lealdade e gratidão e por tudo que eles são para mim sou capaz de matar milhares de Jaguadartes para resguardá-los. O que diria de uma amiga-irmã? Sim, aqueles amigos que só assim são chamados por uma mera questão de filiação. Peço-lhes licença, eventuais leitores e meus outros amigos queridos, para expressar aqui o meu amor a uma amiga em especial que sempre me acudiu em momentos difíceis por um simples assovio. Que sempre me escutou sem me julgar, que riu e chorou comigo e que nesse momento, se eu pudesse, iria até o fim do mundo para livra-la do Mal que a aflige. Adriana, mesmo quando não estou ao seu lado, estou com você segurando sua mão. Nós nunca devemos esquecer de dizer duas coisas a alguém : "Obrigada" e "eu te amo" e isso , Dri , te digo de boca cheia até o fim de tudo e a cada recomeço. 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

ALICE CORRE COM A RAINHA???

9. E por falar em quilinhos indesejáveis , sou bastante sedentária. Apesar de gostar da sensação depois da atividade física , tenho muita preguiça e não consigo estabelecer uma rotina de exercícios.Do post "25 coisas sobre Alice".

"... estavam correndo de mãos dadas, e a Rainha corria tão depressa que ela mal conseguia acompanhá-la. Mesmo assim, a Rainha não parava de gritar : - mais rápido!Mais rápido! , mas Alice sentia que não podia ir mais rápido, embora não lhe sobrasse fôlego para dizer isso." Trecho do livro "Através do Espelho e o que Alice Encontrou lá".

           Fôlego? Já perdi só em reviver esse trecho. Como todo projeto que faço, o  de abandonar o sedentarismo e ter uma vida saudável muitas vezes vai por água abaixo. Essa é a 3ª vez que me matriculo numa academia. Hoje pratico a modalidade "musculação à distância": você se inscreve e não dar o ar de sua graça. O pior é que tenho uma necessidade muito grande de gastar energia, me sinto muito bem nas poucas vezes que eu vou, mas além da minha preguiça eterna em me movimentar, estabelecer uma rotina , pôr em prática projetos a longo prazo sempre é um grande desafio. Preciso ficar me encorajando o tempo todo para fazer as coisas, me provocando muitas vezes. O pior é que o que para algumas pessoas é uma questão de força de vontade , para nós , que temos TDAH , é um esforço mental desgastante que nem sempre nos leva a alcançar o objetivo. Aí vem a frustração, o remorso, a sensação de tempo perdido , de fracasso. Tudo isso por não praticar exercícios físicos? Não , é por tudo. É esse monstro que chamo de Jaguadarte que sempre atravessa o meu caminho e contra o qual tenho que lutar , pois se eu simplesmente desviar o caminho , ele me alcança e me ataca na retaguarda. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A GULA POR ALICE

"8.Adoro, adoro, adooooro comida. Muito mais degustar do que comer mas ainda assim ultimamente ganhei alguns quilinhos indesejáveis." Do post 25 coisas sobre Alice. 

Dos Pecados Capitais , certamente a gula é o que combina mais comigo. Adooooro comida. Gosto de cozinhar para os amigos , sinto prazer em vê-los se deliciar com o que faço mas também gosto de provar novos temperos , sentir o prazer de degustar. Sempre que viajo aos lugares tenho que provar alguma coisa típica , a comida tem que fazer parte do passeio senão eu não fui. Quanto aos quilinhos indesejáveis, desde que publiquei o post "25 coisas sobre Alice" muitas coisas aconteceram na minha vida. Felizmente perdi peso mas infelizmente isso não foi fruto de uma alimentação balanceada nem de práticas saudáveis. Nesses últimos meses dois pilares que sustentavam minha vida desabaram e eu voltei até a tomar antidepressivos. Continuo fazendo terapia mas tive que voltar ao Psiquiatra pois não estava nem sentindo fome. Baseando-se no que foi descrito acima, dá-se para ter uma ideia da gravidade da situação. Eu? sem fome? Alguma coisa está errada, certamente. Temos que saber a hora em que não conseguimos lutar contra o Jaguadarte sozinhos, e assim o fiz. O meu apetite está voltando aos poucos , agora que estou sendo medicada , mas ainda preciso tomar fôlego o suficiente para caminhar sem bengalas. De qualquer modo, a Alice persistente e altiva como sempre , nunca deixará de desistir de lutar. Continuo sim, enfrentando os meus problemas , tão somente mudaram as armas da batalha , por enquanto.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

JAGUADARTE OU MOINHO DE VENTO ???


7. Não costumo terminar o que começo, tenho uma infinidade de projetos, cursos, metas que ficaram pelo meio do caminho. Muitas vezes isso me incomoda, pois perco o interesse pelas coisas ou as imagino inalcançáveis, ou ainda as substituo por outras. ( Do post "25 coisas sobre Alice")

2013 já chegou com uma enorme lista. Enumerei várias coisas que pretendo fazer mas sei que ao final de contas muitas coisas ficarão pela metade. Na verdade, dessa vez , fui bem modesta com os itens , pois sei que acrescentarei muitas outras coisas e desistirei de outras... é assim , sempre foi. O que mudou ? Agora sei o porquê e é muito melhor lutar contra um Jaguadarte do que contra um moinho de vento, neh? Confuso? Explico. O Jaguadarte (TDAH/EU MESMA) é uma coisa que não posso dissociar de mim, faz parte da minha vida , do que sou. Já os moinhos de vento são os devaneios de alguém que não sabe a que tempo pertence , que vive numa realidade que não existe e que não se reconhece como realmente é (Refiro-me agora a D.Quixote). Desde que tive o diagnóstico , a minha maneira de pensar a respeito de mim mesma mudou . Procuro estabelecer algumas regras (O que não é nem de longe fácil), faço listas e uso agenda ( Quase sempre foge alguma coisa mas ajuda bastante) , e não me incomodo tanto em abandonar alguns projetos por perder o interesse ou por não ser mais oportuno pois você sempre leva algo do que você viveu . O grande problema é que por outro lado , não podemos viver como uma folha solta ao vento, temos que executar algumas coisas prioritárias em nossas vidas e seguir sempre em frente , lutando pelo que se quer. É isso que busco agora, executar o que quero mesmo que no final não seja exatamente aquilo de que precisava. A vida é uma só , temos que vivê-la intensamente , o Jaguadarte é só um detalhe.